Cidades Inteligentes e Sustentáveis

Atualmente a tecnologia está presente em todas as dimensões da vida humana, não podia ser diferente no âmbito da administração de cidades. Da mesma maneira que as pessoas e as empresas se beneficiam dos avanços tecnológicos para automatizar processos e obter dados confiáveis, eles também podem favorecer o trabalho da administração pública. Os governos podem ser mais eficientes se lançarem mão de recursos tecnológicos para beneficiar a sociedade.

As cidades inteligentes são aquelas que fazem uso da tecnologia em larga escala e de maneira competente para administrar os seus recursos e pessoas. O conceito surgiu nos anos 1990 e ganhou relevância nos últimos anos. Ele sintetiza a ideia de que a união da tecnologia e do governo pode trazer bons frutos para a sociedade, principalmente quando esta noção está aliada a noção de sustentabilidade.

Cidades inteligentes x Cidades sustentáveis – diferença entre conceitos:

Embora seja comum associá-los, os dois conceitos não devem ser confundidos. A sustentabilidade corresponde a ideia de que é necessário evitar o esgotamento do meio ambiente para garantir o usufruto das próximas gerações e para que as consequências climáticas, que já são presentes, não se tornem insuportáveis. Como a maior densidade populacional encontra-se nos centros urbanos, que ao longo do século XX cresceu desordenadamente, os principais problemas relacionados ao meio ambiente, como a poluição, o desperdício de recursos naturais e a queima de combustíveis fósseis, estão concentrados nessas regiões.

As cidades sustentáveis, portanto, promovem políticas públicas que visam o crescimento econômico e social minimizando o impacto das ações humanas no meio ambiente. Para isso observam os seguintes pilares: a responsabilidade ambiental, a economia sustentável e a vitalidade cultural. Infelizmente, não há nenhuma cidade do mundo totalmente sustentável, mas esse é um ideal que deve guiar as ações das autoridades mundiais e a consciência dos cidadãos, uma vez que a questão ambiental pode comprometer a viabilidade da vida humana, segundo os alarmes cada vez mais preocupantes dos cientistas.

São características das cidades sustentáveis:

  • Coleta de lixo: a cidade promove a coleta seletiva e a destinação correta dos resíduos sólidos para viabilizar a reciclagem do lixo;
  • Recursos hídricos: uma cidade sustentável faz o aproveitamento da água da chuva para a limpeza urbana e para a indústria. Conscientiza a população quanto ao desperdício da água, faz o tratamento correto do esgoto e fiscaliza a ação das indústrias para diminuir a poluição das águas;
  • Transporte público: a cidade sustentável prioriza o transporte coletivo eficiente e movido a energia não poluente e incentiva o uso de bicicleta e patinetes por meio da construção de ciclovias e da conscientização dos motoristas;
  • Educação e lazer: promoção da valorização da qualidade de vida por meio da construção de parques e praças e ampliação de reservas verdes.

Como podemos ver, através da definição de sustentabilidade, o simples emprego da tecnologia na administração pública não pressupõe que a cidade seja sustentável. Uma cidade pode ser altamente tecnológica e, no entanto, priorizar aspectos econômicos e sociais em detrimento dos aspectos ambientais.

Embora se trate de conceitos diferentes, devemos compreender que a ideia de cidades inteligentes pressupõe a ideia de cidades sustentáveis, pois não há como uma administração ser eficiente se não gerencia a sua infraestrutura e os seus recursos de forma sustentável. Portanto, o termo mais correto seria “cidades inteligentes sustentáveis”.

Características das cidades inteligentes – Smart Cities

O investimento em Tecnologia da Informação e Comunicação para melhorar a gestão e a qualidade de vida dos cidadãos, de forma sustentável, é uma característica marcante das cidades inteligentes. Nesse sentido, a aplicação desta noção é bastante ampla e pode atingir diversas dimensões da vida urbana:

  • Mobilidade: as cidades inteligentes investem em tecnologia nos transportes tanto para optar por modelos mais sustentáveis, seguros e acessíveis, como para monitorar e controlar o tráfego com eficiência;
  • Governo: as cidades inteligentes incorporam a tecnologia para uma boa comunicação e transparência com a população. Além disso, as soluções tecnológicas fornecem dados que permitem detectar problemas com antecedência;
  • Sustentabilidade: para serem eficientes as cidades inteligentes devem ser sustentáveis;
  • Qualidade de vida: as cidades inteligentes utilizam a tecnologia para melhorar a qualidade de vida das pessoas e, desta forma, melhorar a convivência social, tornando os serviços públicos, como saúde, segurança e educação, acessíveis a população.

Cidades mais inteligentes pelo mundo

Desde 2014, a IESE Business School da Universidade de Navarra, na Espanha, publica um ranking com as cidades mais inteligentes do mundo[1]. O ranking analisa nove setores, são eles: capital humano, coesão social, economia, governança, meio ambiente, mobilidade e transporte, planejamento urbano, projeção internacional e tecnologia.

O último levantamento, de outubro de 2020, considera Londres, no Reino Unido, a cidade mais inteligente do mundo, seguida por Nova York, nos Estados Unidos. Nos últimos anos essas duas cidades alternaram o primeiro lugar deste ranking. Londres é referência quando se trata de capital humano e projeção internacional e Nova York quando se trata de economia, planejamento urbano e mobilidade. No entanto, ambas as cidades ficam devendo quando se trata de problemas de desigualdade social, racial e sexual. Paris (França), Tóquio (Japão), Reykjavik (Islândia), Copenhague (Dinamarca), Berlim (Alemanha), Amsterdã (Holanda), Singapura (Singapura) e Hong Kong (China) também se destacam no ranking da IESE.

Cidades mais inteligentes do Brasil

Segundo o ranking da IESE, a cidade mais inteligente do país é São Paulo, que aparece em 123º lugar. Levando em consideração que a lista analisa 174 cidades, podemos concluir que o Brasil ainda tem muito a evoluir. Também aparecem no ranking Rio de Janeiro (132º lugar), Brasília (135º lugar), Curitiba (138º lugar), Belo Horizonte (156º) e Salvador (157º). O conceito de cidades inteligentes e sustentáveis visa atender as atuais demandas de aplicação de soluções tecnológicas nas mais diversas dimensões da vida humana, e promove a discussão sobre os princípios que devem reger a aplicação dessas ferramentas de forma a garantir o progresso econômico sem comprometer a viabilidade da vida na terra. Conheça as soluções tecnológicas da Baruk para uma gestão e comunicação mais inteligentes.


[1] IESE – Cities in motion

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